Dor persistente após um entorse de tornozelo?

Causas..


Muitos entorses de tornozelo são curados com tratamento conservador. Porém, alguns pacientes apresentam dor persistente e até crônica após entorses de tornozelo, e é o que vai ser discutido adiante.

Causas de dor persistente após o entorse de tornozelo

1. Reabilitação Inadequada

Muitos pacientes são enquadrados neste grupo. Os maiores sinais são: diminuição da mobilidade (por contratura capsular ou aderências), diminuição da força (principalmente dos tendões fibulares) e perda da propriocepção. Instabilidade recorrente caracteriza este grupo. Neste grupo, é recomendado um programa de reabilitação supervisionado por um fisioterapeuta, juntamente com exercícios em casa, auxiliando a recuperação.

2. Síndrome de Impacto

Tecido fibroso pode ser formado na porção ântero-lateral ou ântero-medial da articulação, após uma entorse. Na teoria, isto pode significar que os ligamentos rompidos podem formar cicatrizes hipertróficas, que provocam o impacto. Outra teoria é de que a sinovial, no seus recessos superiores, torna-se hipertrófica. Também uma lesão da sindesmose pode levar algumas fibras a ficarem interpostas na porção lateral da articulação tibio-talar. Outra possibilidade é a formação de pequenos osteófitos na porção anterior da articulação tibiotalar.

Independente da causa, existe uma queixa de dor na dorsiflexão do tornozelo, principalmente ântero-lateral. Na medição da amplitude da dorsiflexão, uma diferença de 5 graus, com o lado contralateral, sugere a síndrome do impacto. A atroscopia, atualmente, é o tratamento de escolha para este problema.

3. Lesão Condral ou Osteocondral

O choque da cúpula do tálus com a tíbia pode provocar uma série de lesões, como osteocondrite dissecante, cistos subcondrais e lesão osteocondral. Esta lesão acontece mais na porção póstero-medial e ântero-lateral do tálus e pode não ser detectada em radiografias precoces. Muitas vezes exames repetidos são necessários para se fazer o diagnóstico, e se a dor persiste e o RX é negativo pode-se recorrer à ressonância magnética. O pronto diagnóstico e tratamento são importantes para que se evite alterações degenerativas no tornozelo.

4. Lesão do Tendões Fibulares

Deve ser supeitada quando uma dorsiflexão seguida de um doloroso “estalido”. O edema geralmente é persistente na parte posterior do maléolo lateral. Uma ecografia ou ressonância magnética confirmam o diagnóstico, e o tratamento depende da gravidade da lesão, sendo desde tratamento conservador até cirúrgico.

5. Lesão da Sindesmose

A lesão da sindesmose ocorre com lesões em rotação, que freqüentemente acompanham as inversões do tornozelo. O edema supramaleolar e a dor com a dorsi-flexão passiva com rotação externa são fortes indicativos desta lesão. O RX pode mostrar um alargamento no espaço entre a tíbia e a fíbula e uma subluxação do tálus. Um RX da fíbula inteira é necessário para descartar uma fratura proximal da fíbula (fratura de Maissoneuve) e pode ser necessário, também, um exame em stress. Pacientes com dor após 6 a 8 semanas após uma entorse devem ser investigados para esta possibilidade.

O tratamento conservador pode levar até 12 semanas, e uma ruptura completa da sindesmose com evidências de subluxação talar pode necessitar de tratamento cirúrgico, com colocação de um parafuso trasverso na sindesmose.

6. Instabilidade Lateral do Tornozelo

Decorre de uma cicatrização incompleta do ligamento talo-fibular anterior e calcâneo-fibular. O RX em stress é imperativo para se fazer este diagnóstico. Estes pacientes são tratados, geralmente, com fisioterapia e braces profiláticos na prática de esportes. Em alguns casos, o tratamento cirúrgico é necessário para se reestabelecer a estabilidade, se o tratamento conservador falhar nesse aspecto.

 

Fonte: Hugh L. Bassewitz, MD e Matthew S. Shapiro, MD

Persistent Pain After Ankle Sprains

The Physician And Sportsmedicine

Vol. 25, N. 12, Dez. 1997. Pág. 58-68